sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Intenções para o Ano Novo

      Amar a vida, cada dia, com mais força e com mais fé...

     Acreditar no poder da amizade e na alegria de fazer amigos...

     Procurar guardar no coração apenas aquilo que constrói, edifica, eleva...

     Alimentar sonhos, mesmo que pareçam impossíveis...

     Conservar a esperança de que muita coisa pode ser mudada, não importa o tempo de espera...

     Perseguir o ideal almejado, com todas as forças do corpo e da alma...

     Ser - em cada novo dia do Ano Novo que começa - aquele que auxilia e acalma...

    Olhar o outro como companheiro, complemento, razão de enriquecimento e crescimento, sempre...

     Jamais desistir, se a causa é justa e verdadeira...

     Continuar andando, apesar das quedas inevitáveis...

    Valorizar tudo o que mereceu viver até agora, como graças e bênçãos merecedoras de reconhecimento eterno.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Família é prato difícil de preparar


Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes.
Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo.
Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência.
Não é para qualquer um.
Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir.
Preferimos o desconforto do estômago vazio.
Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio.
Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.
O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares.
Súbito, feito milagre, a família está servida.
Fulana sai a mais inteligente de todas.
Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade.
Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo.
Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante.
Aquele o que surpreendeu e foi morar longe.
Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você?  É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia.

Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa?
O que nunca quis nada com o trabalho?

Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo.
Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida.
Não há pressa. Eu espero.
Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados.
Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola.
Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona.
E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.
Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.
Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas.
Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre.

Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido.
Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher.

Saber meter a colher é verdadeira arte.
  
Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe “Família à Oswaldo Aranha”, “ Família à Rossini”, Família à “Belle Meunière”  ou “Família ao Molho Pardo” em que o sangue é fundamental para o  preparo da iguaria.
Família é afinidade, é “à Moda da Casa”.
E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
 
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas.
Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de “Família Diet”, que você suporta só para manter a linha.

Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo.
Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa.
 
A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia- a -dia.
A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel.

Muita coisa se perde na lembrança, principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu.

O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer.

Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas.

Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.

Aproveite ao máximo.

Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.



Do livro "O Arroz de Palma" de Francisco Azevedo

domingo, 12 de dezembro de 2010

Oração pelas famílias

Senhor Jesus, diante de teu presépio, venho pedir por minha família e por todas as famílias...
Abençoa, Senhor, as pessoas que amamos, onde quer estejam.
Que dentro de nossos lares habite a confiança de tua mãe, Maria; o zelo de teu pai, José; e a pureza de teu rosto de criança.
Afugenta de nossas casas as dores, as lágrimas e as angústias causadas por tantos Herodes, que tentam matar nossos sonhos de paz.
Concede-nos a saúde do corpo e da alma, para que possamos cantar teus louvores a cada dia deste novo ano.
Que nossas portas estejam sempre abertas para ti, nas visitas que nos fazes em tantos rostos sofridos.
Que as nossas palavras não magoem ninguém.
Que os nossos gestos não firam as pessoas.
Que a nossa prontidão nos coloque ao serviço uns dos outros.
Que a coragem de cada um seja a força de todos.
Que a confiança no Senhor, que é nosso Pai, nos faça sorridentes e alegres.
Que o amor que nos une seja sempre mais forte do que todas as nossas fraquezas.
Que o Evangelho seja a nossa fonte de inspiração, de fé e de esperança para o dia de amanhã.
Dá-nos, Pai, a alegria de tua presença em nossos lares: o maior de todos os presentes possíveis.
E abençoa, Senhor, todas as famílias neste Natal, Amém.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Para quem ainda tem dúvidas se Jesus é mesmo o nosso Salvador

No terceiro domingo do Advento, mais uma vez o tema será João Batista, mas com outro contexto. Os judeus daquela época esperavam que o Enviado de Deus seria um guerreiro que conduziria o povo escolhido para a libertação do poderio romano, e conquistaria Jerusalém para ser a sede do império judeu. E depois disso, espalharia o domínio sobre todos os povos da Terra. Quando Jesus veio batizar-se com João Batista no Rio Jordão, ele já anunciou que Jesus era o Messias, mas não sabia o que Jesus iria fazer... Só tinha expectativas...

Quando João percebeu que Jesus não estava formando um exército para enfrentar Roma, mas que Ele estava pregando o amor e a paz, parece-nos que ele ficou confuso. E por isso, na prisão, ele enviou alguns discípulos para perguntar se Jesus era mesmo o Enviado de Deus, ou se ainda viria outro.

Jesus não afirma: "Sim, eu sou." Mas fala das suas obras, pois este foi o sinal anunciado pelos profetas do Antigo Testamento sobre o Messias. João sabia desse sinal, e pôde ficar tranqüilo, pois entendeu que já havia cumprido sua missão de anunciá-lo.

Para nós, que sabemos a história por completo, é fácil entender isso. Mas para os apóstolos de Jesus, era muito difícil.


E você, ainda tem dúvidas de que Jesus foi mesmo o enviado de Deus para nos salvar? Pois então saiba que ainda hoje, muitos milagres acontecem diariamente pela fé que as pessoas têm nEle. Não só os pequeninos, mas pessoas cultas já foram curadas física e espiritualmente. O sinal que valeu para aquela época é o mesmo sinal que vale ainda hoje: as obras. Não falo nem das obras da igreja, mas das obras da fé em Jesus.

Quem crê em Jesus e no seu poder de cura e libertação, pode testemunhar as infinitas graças e bênçãos que recebe diariamente em todas as áreas da vida.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A responsabilidade dos usuários de drogas

Corajoso artigo de Carlos Chagas, publicado na TRIBUNA DA IMPRENSA, em 27 de novembro de 2010

Quando eclodem as guerras, os países envolvidos dedicam-se a analisar suas causas, justificando-se pelo envolvimento nos confrontos. Ainda em 1939 as democracias européias acusavam a Alemanha de invadir outras nações, ao tempo em que Adolf Hitler alegava o esbulho do Tratado de Versailles contra o povo germânico.

Sucedem-se as explicações sobre a conflagração no Rio, com a polícia e as autoridades denunciando a extensão do crime organizado no controle das favelas e os narcotraficantes sustentando que a miséria e o desemprego não lhes deixaram outra opção de sobrevivência.

Só que ambos os lados em choque, com raras exceções, omitem o fator principal de responsabilidade pela conflagração: os usuários de droga. Não tivessem os viciados se multiplicado em progressão geométrica e não estaríamos assistindo essa novela de horror.

Os números não deixam mentir: só da Vila Cruzeiro escaparam perto de 600 narcotraficantes, refugiando-se no Complexo do Alemão. Multiplique-se pelas outras mil favelas fluminenses o número de bandidos empenhados em adquirir, vender e distribuir cocaína, maconha e outras drogas, e se terá o número aproximado de dezenas de milhares de criminosos assolando a antiga capital e adjacências.

Isso significa número muito maior de viciados, daqueles que recebem a droga a domicílio ou freqüentam as bocas de fumo. Duzentos mil, quinhentos mil, no Rio? São eles os responsáveis pela guerra. Carregam a culpa pela intranqüilidade da população inteira, mais os assassinatos, os roubos e as depredações. No entanto, são tratados como vítimas, coitadinhos, pobres doentes contaminados pela angústia…

Aqui para nós, é preciso criminalizá-los. Identificá-los. Expô-los à sociedade. Torná-los responsáveis perante a Justiça, aplicando-lhes penas que, mesmo não sendo de prisão, precisam ser conhecidas dos vizinhos, parentes, patrões e empregados. Em especial os melhor favorecidos, os ricos e os integrantes das elites. Vale repetir, são eles os culpados pelo que vai acontecendo, porque se não existissem, não existiria o narcotráfico. Nem a guerra.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Parabéns à Polícia Militar e à Polícia Civil do Rio de Janeiro

Ver na televisão aqueles malditos traficantes, correndo como ratos que abandonam um porão inundado, me encheu de esperança. Talvez o povo do Rio de Janeiro, se tiver coragem moral e vontade política para apoiar as ações policiais, venha a se livrar dessa corja de bandidos que tanto mal faz aos cariocas.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Abstenção pela Pedra

Reportagem de FERNANDO DE BARROS E SILVA, na Folha de São Paulo, em 22 NOV 10


Argentina, Chile, Japão, EUA e a Europa, num total de 80 países, aprovaram resolução na ONU, encaminhada pelo Canadá, contra as "recorrentes violações dos direitos humanos" por parte do governo do Irã. O Brasil se absteve. Votou como Sudão, Síria, Líbia, Cuba e Venezuela, entre outros.
Na resolução, está em jogo o repúdio às execuções por apedrejamento, às execuções de menores, à tortura, às mutilações, à perseguição a mulheres, minorias e presos políticos pelo Estado iraniano.
Ao justificar a posição brasileira, a embaixadora Maria Luiza Viotti defendeu que os direitos humanos devem ser examinados "de uma maneira holística, multilateral, despolitizada e não seletiva".
Maneira "holística"? Cabe um "voto de protesto" contra esse jargão eufemístico, a serviço da empulhação diplomática? Diante da iraniana que está prestes a morrer apedrejada, a fala brasileira soa simplesmente cínica.
Mas a abstenção do Brasil também é política. Ela faz eco à posição do próprio Irã, que vê na defesa dos direitos humanos uma cortina de fumaça para os interesses da política externa norte-americana.
O Brasil se nega a criticar o Irã publicamente. Insiste que a cooperação e o diálogo são preferíveis ao isolamento de Ahmadinejad. Na prática, transige com a barbárie, negociando vergonhosamente os direitos humanos, em nome, talvez, de um antiamericanismo fora de época e de lugar, como quem quisesse acertar contas do passado por razões equivocadas.
Lula, ao oferecer asilo a Sakineh Ashtani, acredita ter feito a sua parte. Lavou as mãos. Mas o Brasil será cobrado, e com razão, se sua execução se consumar. Por que não tratar o caso Sakineh como um divisor de águas? Ou melhor: por que, sabendo que ele assumiu essa dimensão, emprestar solidariedade aos facínoras? Por que jogar o peso político do país na simpatia acovardada e covarde pelo obscurantismo? Pois é disso, afinal, que se trata.

domingo, 21 de novembro de 2010

As 10 Instituições mais confiáveis do Brasil 2010

 Retratar a confiança do cidadão em uma instituição significa identificar se o cidadão acredita que essa instituição cumpre a sua função com qualidade, se faz isso de forma em que benefícios de sua atuação sejam maiores que os seus custos e se essa instituição é levada em conta no dia-a-dia do cidadão comum.

Nesse sentido o Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas em São Paulo divulgou os dados referentes ao 3º trimestre do ano (jul-set) do Índice de Confiança na Justiça (ICJ Brasil). Segue o Top 10:

1º. Forças Armadas: 66% dos entrevistados confiam
2º. Igreja Católica: 54%
3º. Emissoras de TV: 44%
4º. Grandes Empresas: 44%
5º. Imprensa Escrita: 41%
6º. Governo Federal: 41%
7º. Judiciário: 33%
8º. Polícia: 33%
9º. Congresso Nacional: 20%
10º. Partidos Políticos: 8%
Fonte: ICJBrasil (FGV)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eleições 2010

Eu me lembro das eleições presidenciais de 2002.

Serra foi apresentado por muitos como inimigo das Forças Armadas. No dizer de muitos, ele nos odiava... Era quase modismo afirmar que votaria em qualquer um, mesmo que fosse o Lula, mas no Serra, nunca...

Agora o mesmo Serra aparece, em 2010, como salvador... Salvador de que? Ou de quem?

Ora, eu também votei nele, mas imaginar que mudanças significativas seriam alcançadas com sua eleição é, no meu entender, ingenuidade.

O que de diferente foi proposto? Alguma tentativa de desmascarar o Lula? De mostrar à nação que a imprensa comprada havia criado um mito? Um mito de pés de barro, a bem da verdade.

Entre dois candidatos iguais, que apresentavam como propostas apenas o continuísmo, me parece óbvio que o povo escolhesse a candidata original, e não o genérico...

Mas, nada como o tempo. Com certeza a Dilma não vai ter a moleza que teve seu antecessor e mestre. Ela não tem luz própria e sabe disso. Sabe também que não sentaria na cadeira de presidente sem as bênçãos do Lula. E sabe ainda que seu protetor tentará conduzi-la, como uma marionete, governando de fato em seu lugar.

Por quanto tempo a picada da mosca azul demorará para fazer efeito? Os bajuladores e os interesseiros de plantão, os oportunistas, os ambiciosos e a própria sedução do cargo farão o seu trabalho. É só esperar...

No meu ponto de vista, o PNDH-3 acabou tendo um efeito inesperado para seus idealizadores. Ele despertou a grande imprensa para o risco da censura e do controle da mídia pelo governo. A situação ficou embaraçosa: o mito (o dos pés de barro) criado pela imprensa se voltou contra ela própria, confirmando o paradoxo da criatura que se volta contra o criador.

Outro efeito a considerar foi a reação das igrejas, antes aliadas e dominadas pela teologia da libertação. Neste aspecto, me parece também haver uma mudança de rumo...

Não pretendo adivinhar o futuro, mas quase diria que o caráter autoritário de Dilma, sua formação marxista, sua inexperiência política, sua vaidade pessoal e, é claro, a ambição de poder de Lula, hão de cobrar seu preço.

Só espero que seja bem caro, para pagar pelo engodo a que foram submetidos os brasileiros mais humildes, que esperançosos por melhores dias a elegeram.

Talvez até surja alguém digno de ser apoiado, para o bem de nossa Pátria e suas Forças Armadas.

sábado, 30 de outubro de 2010

O que é o casamento? Cômico se não fosse trágico

Texto do Pastor Gilson Santos, recebido por email
 
Em algum lugar do Brasil, em algum tempo no futuro, um escriturário está cumprindo o seu expediente no balcão de um Cartório de Registro Civil:
O próximo, por favor.
Bom Dia. Nós queremos dar entrada nos papéis para o casamento?
Nomes??
Pedro da Silva Pereira e João da Silva Pereira.
Silva Pereira? Vocês são parentes? Posso ver que se parecem fisicamente.
Sim. Somos irmãos.
Irmãos? Mas vocês não podem se casar!?
E por que não? A lei já não contempla o matrimônio de casais do mesmo gênero? Sabemos, inclusive, que muitos têm tido seus registros aqui neste tabelionato.
Sim, milhares! Mas nós nunca tivemos casamentos entre irmãos. Isto seria incesto!
Incesto? Não! O senhor está equivocado. Nós não somos gays.
Não são gays? Então, por que querem se casar?
Pelos benefícios financeiros, é claro. E, além disso, nós nos amamos, e não temos nenhuma outra pessoa em vista para o casamento.
Infelizmente, senhores, nós somente lavramos o registro de casamento de gays e lésbicas para quem a igualdade de proteção legal tem sido negada anteriormente pelas autoridades judiciárias. Se vocês não são gays, podem se casar com mulheres!
Um momento! Um homem gay tem todo o direito de casar-se com uma mulher, assim como eu também tenho. Entretanto, simplesmente porque eu sou hetero, não quer dizer que eu queira casar-me com uma mulher. Eu quero me casar com João, meu irmão.
E eu quero me casar com Pedro. Este cartório vai nos discriminar simplesmente porque não somos gays?
Aproxima-se o Oficial do Cartório, e intervém:
Está bem, está bem! Acalmem-se, senhores. Vamos dar entrada nos papéis e fazer correr os proclamas...
Próximo, por favor.
Olá. Estamos aqui com o propósito de casarmos.
Nomes??
Rodrigo Santos, Jane Vilela, Roberto Madureira e Maria do Rosário.
E quem vai casar com quem??
Todos nós queremos casar uns com os outros.
Mas como é isto? Vocês são quatro pessoas!?
Sim, está certo. Mas, veja, somos os quatro bissexuais. Eu amo a Jane e ao Roberto, Jane ama a mim e a Maria, Maria ama o Roberto e a Jane, e Roberto ama Maria e a mim. Se todos nos casarmos será a única maneira em que poderemos expressar nossas preferências sexuais em um relacionamento matrimonial.
Senhores, infelizmente só procedemos o registro de casamento para casais de lésbicas e gays.
Mas isto é uma discriminação contra as pessoas bissexuais? Por que não podemos nos casar???
Infelizmente é assim mesmo, senhores. Bem... a ideia tradicional do casamento é apenas para casais.
E desde quando vocês se regulam e se determinam pela tradição??
Bem, o que quero dizer é que a gente tem que estabelecer o limite em algum lugar.
De acordo com quem? Não existe uma razão lógica para se limitar o casamento a um casal. Quanto mais, melhor! Além disso, nós reivindicamos os nossos direitos! As nossas autoridades afirmam que a Constituição garante igualdade e proteção legal a todos os cidadãos. O senhor queira, por gentileza, fazer correr os nossos papéis para o casamento!?
O Oficial do Cartório, agora mais atento, aproxima-se novamente, e arremata:
Está bem, está bem! Será feito, senhores. Fiquem tranquilos! Aceitam um cafezinho??
O escriturário, sentindo-se constrangido, e de cabeça baixa e olhos pregados nos papéis, prossegue:
O próximo, por favor.
Nomes??
Daniel Costa e Paulo Ricardo Gonçalves.
Até que enfim um casal normal...!
Idades?
Daniel , 48 anos, e Paulo Ricardo, 13 anos.
O escriturário levanta a cabeça e ajeita os óculos.
Mas isto não é possível, senhor. Este menino é só um adolescente!
E qual o problema??
Bom...
O escriturário olha para o Oficial, como a pedir socorro.
O casamento produz a emancipação do menor, senhor. Já não é assim nos casamentos de heterossexuais?
O menor trouxe a assinatura dos pais ou responsáveis??
E é preciso?! Não basta apresentar as testemunhas? Elas estão assentadas ali...
O escriturário já tem o pescoço meio virado para a mesa do Oficial, enquanto Daniel, à frente, repousa o seu braço sobre os ombros de Paulo Ricardo, que está igualmente expectante pela resposta.
Por favor, dirijam-se àquela extremidade do balcão e resolvam este caso com aquele senhor lá adiante...
Próximo.
Nome??
Davi Januário Assunção.
E o outro homem??
Sou somente eu. Eu quero me casar comigo mesmo.
Casar-se consigo mesmo? O que você quer dizer com isto? Está maluco??
Bem, meu analista disse que eu tenho dupla personalidade. Então, quero casar as duas personalidades. Talvez, desta maneira, eu possa fazer uma declaração conjunta de Imposto de Renda e aumentar a minha restituição.
A esta altura, foi o escriturário que quase teve um surto psicótico, e extravasou:
Chega! Eu desisto!! Vocês estão fazendo pouco caso do casamento!!
E, confuso, ele já não sabia mais se poderia oferecer alguma definição do que seja casamento...
Aproveitou, e pediu ao Davi: Você pode me indicar o seu analista? Aliás, vocês... xiii?.
Mais tarde! Pois a fila continua imensa e crescente, e sabe-se lá o que ainda vem por aí.
Como foi dito, a situação acima é inteiramente ficcional ou fictícia.
Entretanto, talvez alguém se pergunte: "E isto poderia tornar-se realidade?"
O que você acha?

Então pense nos valores Cristãos antes de votar.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Papa Bento XVI e as eleições brasileiras

Faltando três dias para a votação do segundo turno, o acalorado debate eleitoral ganhou um interlocutor de peso: o Papa Bento XVI.

Num discurso pronunciado, nesta manhã de quinta-feira, para bispos do Nordeste – reconhecida base eleitoral do PT de Dilma Rousseff – Bento XVI condenou com clareza “os projetos políticos” que “contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto”.

Com o discurso de hoje, Bento XVI rompe, desde o mais alto grau da hierarquia católica, o patrulhamento ideológico que o PT vem impondo a bispos do Brasil através de ameaças, pressões diplomáticas, xingamentos e abusos de poder.

É conhecida a absurda apreensão, a pedido do PT, de milhares de folhetos contendo o “Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras”, em que a Comissão em Defesa da Vida, da Regional Sul I da CNBB, exortava os católicos a não votar em políticos que defendam a descriminalização do aborto. É conhecida a denúncia do bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, de que tem sido vítima de censura e perseguição por parte do PT (cf. Revista Veja). É arquiconhecida a prisão de leigos católicos que realizavam o “ato subversivo” de distribuir nas ruas o documento dos bispos de São Paulo.

O Papa convida os bispos à coragem de romper este patrulhamento e falar. Ao defender a vida das crianças no ventre das mães, os bispos não devem temer “a oposição e a impopularidade, recusando qualquer acordo e ambigüidade”.

O pronunciamento de Bento XVI ainda exorta os bispos a cumprirem “o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”. E, numa clara alusão a uma das propostas do PNDH-3 do PT, se opõe à ausência “de símbolos religiosos na vida pública”.

Com seu discurso, o Papa procura evitar que o Brasil continue protagonista de um fenômeno que seria mais típico do feudalismo medieval, do que de uma suposta democracia moderna. De fato, durante a Baixa Idade Média, era comum que os posicionamentos e protestos mais decididos fossem os do Papa, enquanto os do episcopado local, mais exposto às pressões e ao poder imediato dos senhores feudais, eram como os de um cão atado à coleira. Pode até ensaiar uns latidos, mas quem passa por perto sabe que se trata de barulho inofensivo.

Ao apagar das luzes da campanha de segundo turno, o Pontífice parece preparar o terreno para que a Igreja do Brasil compreenda, sejam quais forem os resultados das eleições, que é inútil apelar para um currículo de progressos sociais e de defesas dos oprimidos do Partido dos Trabalhadores, quando seu “projeto político” está tão empenhado em eliminar os seres humanos mais fracos e indefesos no ventre das mães.

Segue abaixo o discurso do Santo Padre


Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29).

O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38).

Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.