sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Intenções para o Ano Novo

      Amar a vida, cada dia, com mais força e com mais fé...

     Acreditar no poder da amizade e na alegria de fazer amigos...

     Procurar guardar no coração apenas aquilo que constrói, edifica, eleva...

     Alimentar sonhos, mesmo que pareçam impossíveis...

     Conservar a esperança de que muita coisa pode ser mudada, não importa o tempo de espera...

     Perseguir o ideal almejado, com todas as forças do corpo e da alma...

     Ser - em cada novo dia do Ano Novo que começa - aquele que auxilia e acalma...

    Olhar o outro como companheiro, complemento, razão de enriquecimento e crescimento, sempre...

     Jamais desistir, se a causa é justa e verdadeira...

     Continuar andando, apesar das quedas inevitáveis...

    Valorizar tudo o que mereceu viver até agora, como graças e bênçãos merecedoras de reconhecimento eterno.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Família é prato difícil de preparar


Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes.
Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo.
Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência.
Não é para qualquer um.
Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir.
Preferimos o desconforto do estômago vazio.
Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio.
Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.
O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares.
Súbito, feito milagre, a família está servida.
Fulana sai a mais inteligente de todas.
Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade.
Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo.
Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante.
Aquele o que surpreendeu e foi morar longe.
Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você?  É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia.

Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa?
O que nunca quis nada com o trabalho?

Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo.
Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida.
Não há pressa. Eu espero.
Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados.
Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola.
Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona.
E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.
Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.
Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas.
Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre.

Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido.
Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher.

Saber meter a colher é verdadeira arte.
  
Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe “Família à Oswaldo Aranha”, “ Família à Rossini”, Família à “Belle Meunière”  ou “Família ao Molho Pardo” em que o sangue é fundamental para o  preparo da iguaria.
Família é afinidade, é “à Moda da Casa”.
E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
 
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas.
Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de “Família Diet”, que você suporta só para manter a linha.

Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo.
Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa.
 
A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia- a -dia.
A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel.

Muita coisa se perde na lembrança, principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu.

O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer.

Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas.

Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.

Aproveite ao máximo.

Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.



Do livro "O Arroz de Palma" de Francisco Azevedo

domingo, 12 de dezembro de 2010

Oração pelas famílias

Senhor Jesus, diante de teu presépio, venho pedir por minha família e por todas as famílias...
Abençoa, Senhor, as pessoas que amamos, onde quer estejam.
Que dentro de nossos lares habite a confiança de tua mãe, Maria; o zelo de teu pai, José; e a pureza de teu rosto de criança.
Afugenta de nossas casas as dores, as lágrimas e as angústias causadas por tantos Herodes, que tentam matar nossos sonhos de paz.
Concede-nos a saúde do corpo e da alma, para que possamos cantar teus louvores a cada dia deste novo ano.
Que nossas portas estejam sempre abertas para ti, nas visitas que nos fazes em tantos rostos sofridos.
Que as nossas palavras não magoem ninguém.
Que os nossos gestos não firam as pessoas.
Que a nossa prontidão nos coloque ao serviço uns dos outros.
Que a coragem de cada um seja a força de todos.
Que a confiança no Senhor, que é nosso Pai, nos faça sorridentes e alegres.
Que o amor que nos une seja sempre mais forte do que todas as nossas fraquezas.
Que o Evangelho seja a nossa fonte de inspiração, de fé e de esperança para o dia de amanhã.
Dá-nos, Pai, a alegria de tua presença em nossos lares: o maior de todos os presentes possíveis.
E abençoa, Senhor, todas as famílias neste Natal, Amém.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Para quem ainda tem dúvidas se Jesus é mesmo o nosso Salvador

No terceiro domingo do Advento, mais uma vez o tema será João Batista, mas com outro contexto. Os judeus daquela época esperavam que o Enviado de Deus seria um guerreiro que conduziria o povo escolhido para a libertação do poderio romano, e conquistaria Jerusalém para ser a sede do império judeu. E depois disso, espalharia o domínio sobre todos os povos da Terra. Quando Jesus veio batizar-se com João Batista no Rio Jordão, ele já anunciou que Jesus era o Messias, mas não sabia o que Jesus iria fazer... Só tinha expectativas...

Quando João percebeu que Jesus não estava formando um exército para enfrentar Roma, mas que Ele estava pregando o amor e a paz, parece-nos que ele ficou confuso. E por isso, na prisão, ele enviou alguns discípulos para perguntar se Jesus era mesmo o Enviado de Deus, ou se ainda viria outro.

Jesus não afirma: "Sim, eu sou." Mas fala das suas obras, pois este foi o sinal anunciado pelos profetas do Antigo Testamento sobre o Messias. João sabia desse sinal, e pôde ficar tranqüilo, pois entendeu que já havia cumprido sua missão de anunciá-lo.

Para nós, que sabemos a história por completo, é fácil entender isso. Mas para os apóstolos de Jesus, era muito difícil.


E você, ainda tem dúvidas de que Jesus foi mesmo o enviado de Deus para nos salvar? Pois então saiba que ainda hoje, muitos milagres acontecem diariamente pela fé que as pessoas têm nEle. Não só os pequeninos, mas pessoas cultas já foram curadas física e espiritualmente. O sinal que valeu para aquela época é o mesmo sinal que vale ainda hoje: as obras. Não falo nem das obras da igreja, mas das obras da fé em Jesus.

Quem crê em Jesus e no seu poder de cura e libertação, pode testemunhar as infinitas graças e bênçãos que recebe diariamente em todas as áreas da vida.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A responsabilidade dos usuários de drogas

Corajoso artigo de Carlos Chagas, publicado na TRIBUNA DA IMPRENSA, em 27 de novembro de 2010

Quando eclodem as guerras, os países envolvidos dedicam-se a analisar suas causas, justificando-se pelo envolvimento nos confrontos. Ainda em 1939 as democracias européias acusavam a Alemanha de invadir outras nações, ao tempo em que Adolf Hitler alegava o esbulho do Tratado de Versailles contra o povo germânico.

Sucedem-se as explicações sobre a conflagração no Rio, com a polícia e as autoridades denunciando a extensão do crime organizado no controle das favelas e os narcotraficantes sustentando que a miséria e o desemprego não lhes deixaram outra opção de sobrevivência.

Só que ambos os lados em choque, com raras exceções, omitem o fator principal de responsabilidade pela conflagração: os usuários de droga. Não tivessem os viciados se multiplicado em progressão geométrica e não estaríamos assistindo essa novela de horror.

Os números não deixam mentir: só da Vila Cruzeiro escaparam perto de 600 narcotraficantes, refugiando-se no Complexo do Alemão. Multiplique-se pelas outras mil favelas fluminenses o número de bandidos empenhados em adquirir, vender e distribuir cocaína, maconha e outras drogas, e se terá o número aproximado de dezenas de milhares de criminosos assolando a antiga capital e adjacências.

Isso significa número muito maior de viciados, daqueles que recebem a droga a domicílio ou freqüentam as bocas de fumo. Duzentos mil, quinhentos mil, no Rio? São eles os responsáveis pela guerra. Carregam a culpa pela intranqüilidade da população inteira, mais os assassinatos, os roubos e as depredações. No entanto, são tratados como vítimas, coitadinhos, pobres doentes contaminados pela angústia…

Aqui para nós, é preciso criminalizá-los. Identificá-los. Expô-los à sociedade. Torná-los responsáveis perante a Justiça, aplicando-lhes penas que, mesmo não sendo de prisão, precisam ser conhecidas dos vizinhos, parentes, patrões e empregados. Em especial os melhor favorecidos, os ricos e os integrantes das elites. Vale repetir, são eles os culpados pelo que vai acontecendo, porque se não existissem, não existiria o narcotráfico. Nem a guerra.