sábado, 30 de outubro de 2010

O que é o casamento? Cômico se não fosse trágico

Texto do Pastor Gilson Santos, recebido por email
 
Em algum lugar do Brasil, em algum tempo no futuro, um escriturário está cumprindo o seu expediente no balcão de um Cartório de Registro Civil:
O próximo, por favor.
Bom Dia. Nós queremos dar entrada nos papéis para o casamento?
Nomes??
Pedro da Silva Pereira e João da Silva Pereira.
Silva Pereira? Vocês são parentes? Posso ver que se parecem fisicamente.
Sim. Somos irmãos.
Irmãos? Mas vocês não podem se casar!?
E por que não? A lei já não contempla o matrimônio de casais do mesmo gênero? Sabemos, inclusive, que muitos têm tido seus registros aqui neste tabelionato.
Sim, milhares! Mas nós nunca tivemos casamentos entre irmãos. Isto seria incesto!
Incesto? Não! O senhor está equivocado. Nós não somos gays.
Não são gays? Então, por que querem se casar?
Pelos benefícios financeiros, é claro. E, além disso, nós nos amamos, e não temos nenhuma outra pessoa em vista para o casamento.
Infelizmente, senhores, nós somente lavramos o registro de casamento de gays e lésbicas para quem a igualdade de proteção legal tem sido negada anteriormente pelas autoridades judiciárias. Se vocês não são gays, podem se casar com mulheres!
Um momento! Um homem gay tem todo o direito de casar-se com uma mulher, assim como eu também tenho. Entretanto, simplesmente porque eu sou hetero, não quer dizer que eu queira casar-me com uma mulher. Eu quero me casar com João, meu irmão.
E eu quero me casar com Pedro. Este cartório vai nos discriminar simplesmente porque não somos gays?
Aproxima-se o Oficial do Cartório, e intervém:
Está bem, está bem! Acalmem-se, senhores. Vamos dar entrada nos papéis e fazer correr os proclamas...
Próximo, por favor.
Olá. Estamos aqui com o propósito de casarmos.
Nomes??
Rodrigo Santos, Jane Vilela, Roberto Madureira e Maria do Rosário.
E quem vai casar com quem??
Todos nós queremos casar uns com os outros.
Mas como é isto? Vocês são quatro pessoas!?
Sim, está certo. Mas, veja, somos os quatro bissexuais. Eu amo a Jane e ao Roberto, Jane ama a mim e a Maria, Maria ama o Roberto e a Jane, e Roberto ama Maria e a mim. Se todos nos casarmos será a única maneira em que poderemos expressar nossas preferências sexuais em um relacionamento matrimonial.
Senhores, infelizmente só procedemos o registro de casamento para casais de lésbicas e gays.
Mas isto é uma discriminação contra as pessoas bissexuais? Por que não podemos nos casar???
Infelizmente é assim mesmo, senhores. Bem... a ideia tradicional do casamento é apenas para casais.
E desde quando vocês se regulam e se determinam pela tradição??
Bem, o que quero dizer é que a gente tem que estabelecer o limite em algum lugar.
De acordo com quem? Não existe uma razão lógica para se limitar o casamento a um casal. Quanto mais, melhor! Além disso, nós reivindicamos os nossos direitos! As nossas autoridades afirmam que a Constituição garante igualdade e proteção legal a todos os cidadãos. O senhor queira, por gentileza, fazer correr os nossos papéis para o casamento!?
O Oficial do Cartório, agora mais atento, aproxima-se novamente, e arremata:
Está bem, está bem! Será feito, senhores. Fiquem tranquilos! Aceitam um cafezinho??
O escriturário, sentindo-se constrangido, e de cabeça baixa e olhos pregados nos papéis, prossegue:
O próximo, por favor.
Nomes??
Daniel Costa e Paulo Ricardo Gonçalves.
Até que enfim um casal normal...!
Idades?
Daniel , 48 anos, e Paulo Ricardo, 13 anos.
O escriturário levanta a cabeça e ajeita os óculos.
Mas isto não é possível, senhor. Este menino é só um adolescente!
E qual o problema??
Bom...
O escriturário olha para o Oficial, como a pedir socorro.
O casamento produz a emancipação do menor, senhor. Já não é assim nos casamentos de heterossexuais?
O menor trouxe a assinatura dos pais ou responsáveis??
E é preciso?! Não basta apresentar as testemunhas? Elas estão assentadas ali...
O escriturário já tem o pescoço meio virado para a mesa do Oficial, enquanto Daniel, à frente, repousa o seu braço sobre os ombros de Paulo Ricardo, que está igualmente expectante pela resposta.
Por favor, dirijam-se àquela extremidade do balcão e resolvam este caso com aquele senhor lá adiante...
Próximo.
Nome??
Davi Januário Assunção.
E o outro homem??
Sou somente eu. Eu quero me casar comigo mesmo.
Casar-se consigo mesmo? O que você quer dizer com isto? Está maluco??
Bem, meu analista disse que eu tenho dupla personalidade. Então, quero casar as duas personalidades. Talvez, desta maneira, eu possa fazer uma declaração conjunta de Imposto de Renda e aumentar a minha restituição.
A esta altura, foi o escriturário que quase teve um surto psicótico, e extravasou:
Chega! Eu desisto!! Vocês estão fazendo pouco caso do casamento!!
E, confuso, ele já não sabia mais se poderia oferecer alguma definição do que seja casamento...
Aproveitou, e pediu ao Davi: Você pode me indicar o seu analista? Aliás, vocês... xiii?.
Mais tarde! Pois a fila continua imensa e crescente, e sabe-se lá o que ainda vem por aí.
Como foi dito, a situação acima é inteiramente ficcional ou fictícia.
Entretanto, talvez alguém se pergunte: "E isto poderia tornar-se realidade?"
O que você acha?

Então pense nos valores Cristãos antes de votar.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Papa Bento XVI e as eleições brasileiras

Faltando três dias para a votação do segundo turno, o acalorado debate eleitoral ganhou um interlocutor de peso: o Papa Bento XVI.

Num discurso pronunciado, nesta manhã de quinta-feira, para bispos do Nordeste – reconhecida base eleitoral do PT de Dilma Rousseff – Bento XVI condenou com clareza “os projetos políticos” que “contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto”.

Com o discurso de hoje, Bento XVI rompe, desde o mais alto grau da hierarquia católica, o patrulhamento ideológico que o PT vem impondo a bispos do Brasil através de ameaças, pressões diplomáticas, xingamentos e abusos de poder.

É conhecida a absurda apreensão, a pedido do PT, de milhares de folhetos contendo o “Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras”, em que a Comissão em Defesa da Vida, da Regional Sul I da CNBB, exortava os católicos a não votar em políticos que defendam a descriminalização do aborto. É conhecida a denúncia do bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, de que tem sido vítima de censura e perseguição por parte do PT (cf. Revista Veja). É arquiconhecida a prisão de leigos católicos que realizavam o “ato subversivo” de distribuir nas ruas o documento dos bispos de São Paulo.

O Papa convida os bispos à coragem de romper este patrulhamento e falar. Ao defender a vida das crianças no ventre das mães, os bispos não devem temer “a oposição e a impopularidade, recusando qualquer acordo e ambigüidade”.

O pronunciamento de Bento XVI ainda exorta os bispos a cumprirem “o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”. E, numa clara alusão a uma das propostas do PNDH-3 do PT, se opõe à ausência “de símbolos religiosos na vida pública”.

Com seu discurso, o Papa procura evitar que o Brasil continue protagonista de um fenômeno que seria mais típico do feudalismo medieval, do que de uma suposta democracia moderna. De fato, durante a Baixa Idade Média, era comum que os posicionamentos e protestos mais decididos fossem os do Papa, enquanto os do episcopado local, mais exposto às pressões e ao poder imediato dos senhores feudais, eram como os de um cão atado à coleira. Pode até ensaiar uns latidos, mas quem passa por perto sabe que se trata de barulho inofensivo.

Ao apagar das luzes da campanha de segundo turno, o Pontífice parece preparar o terreno para que a Igreja do Brasil compreenda, sejam quais forem os resultados das eleições, que é inútil apelar para um currículo de progressos sociais e de defesas dos oprimidos do Partido dos Trabalhadores, quando seu “projeto político” está tão empenhado em eliminar os seres humanos mais fracos e indefesos no ventre das mães.

Segue abaixo o discurso do Santo Padre


Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29).

O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38).

Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Músicas para as missas de outubro e novembro

Você pode aprender as músicas das missas dos meses de outubro e novembro, no site da Arquidiocese do Rio de Janeiro, no endereço abaixo:

http://www.arquidiocese.org.br/

 Depois de abrir o site, clique nas abas (à esquerda):  Músicas / Canto litúrgico /  Músicas de outubro de 2010.
Agora é só escolher a música. Você pode ouvir ou ler a letra com partitura.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Qual é o preço da liberdade????

Lendo o JB on line , encontrei este artigo escrito pelo cientista político Rodrigo Borges de Campos Netto, que mostra o que está em jogo na eleição presidencial...

Democracia ou ditadura?

Conversando com uma amiga, que dizia não entender o porquê de tanto receio ao risco de um ditadura, já que vamos votar e eleger os novos governantes e, portanto, não estamos submetidos à ditadura, argumentei o seguinte: Você tem razão, ainda não vivemos uma ditadura propriamente dita.
Mas não se pode fazer vista grossa para o fato de que o conjunto dos movimentos destes que estão no poder apontam inevitavelmente para tal. Vejamos:
as tentativas de se estabelecer o controle social da imprensa, ou seja, censura;
o Conselho Nacional de Jornalismo (CNJ), que se pretendeu implantar, mais censura;
a Ancinav, que também se tentou criar pra controlar a produção cultural;
a clara intenção do partido único e hegemônico;
a mais absoluta ausência de discernimento quanto ao que é governo e ao que é partido, quanto ao que é exclusivamente público e ao que é privado;
o aparelhamento do Estado levado às últimas consequências, com objetivos muito claros e pouco republicanos, isso para não falar de seus efeitos deletérios na qualidade dos serviços públicos, da corrupção etc;
o desrespeito e mesmo desprezo pelas instituições que dão corpo e alma à democracia;
a reiterada (e até debochada) transgressão às regras democráticas e do jogo eleitoral;
a utilização da mentira mais deslavada para enganar a população em geral e os eleitores em particular;
a desonestidade intelectual ao negar tudo o que os outros presidentes fizeram;
a apropriação indébita das realizações dos outros presidentes como se suas fossem;
o populismo messiânico que se busca estabelecer;
a volta do personalismo tão retrógrado e que se julgava coisa do passado;
a intolerância à divergência;
a incitação à violência;
a tentativa maniqueísta de dividir o país entre pobres e ricos, jogar uns contra os outros gerando ódio na população;
o desejo explícito do extermínio das oposições;
a utilização da máquina estatal, inclusive informações confidenciais, para fins eleitorais e de perseguição política.
No plano internacional, as afinidades eletivas do atual presidente a governantes com clara vocação autoritária, tais como: Hugo Chávez, Evo Morales, Fidel Castro, Cristina Kirchner e Mahmoud Ahmadinejad.
Enfim, todo esse conjunto de ações apontam para o quê?  Democracia?  Não, apontam claramente para uma ditadura totalitária, com o perdão da redundância.
É assim que eu vejo a situação hoje em nosso país. Por isso eu digo: o que está em jogo é uma opção (ou não) pela manutenção da democracia e das liberdades a ela inerentes.

Padre Paulo Ricardo

Veja no endereço abaixo o que diz o Pe. Paulo Ricardo, reflita e vote.

http://padrepauloricardo.org/blog/a-igreja-amordacada-pelo-pt/