Democracia ou ditadura?
Conversando com uma amiga, que dizia não entender o porquê de tanto receio ao risco de um ditadura, já que vamos votar e eleger os novos governantes e, portanto, não estamos submetidos à ditadura, argumentei o seguinte: Você tem razão, ainda não vivemos uma ditadura propriamente dita.
Mas não se pode fazer vista grossa para o fato de que o conjunto dos movimentos destes que estão no poder apontam inevitavelmente para tal. Vejamos:
as tentativas de se estabelecer o controle social da imprensa, ou seja, censura;
o Conselho Nacional de Jornalismo (CNJ), que se pretendeu implantar, mais censura;
a Ancinav, que também se tentou criar pra controlar a produção cultural;
a clara intenção do partido único e hegemônico;
a mais absoluta ausência de discernimento quanto ao que é governo e ao que é partido, quanto ao que é exclusivamente público e ao que é privado;
o aparelhamento do Estado levado às últimas consequências, com objetivos muito claros e pouco republicanos, isso para não falar de seus efeitos deletérios na qualidade dos serviços públicos, da corrupção etc;
o desrespeito e mesmo desprezo pelas instituições que dão corpo e alma à democracia;
a reiterada (e até debochada) transgressão às regras democráticas e do jogo eleitoral;
a utilização da mentira mais deslavada para enganar a população em geral e os eleitores em particular;
a desonestidade intelectual ao negar tudo o que os outros presidentes fizeram;
a apropriação indébita das realizações dos outros presidentes como se suas fossem;
o populismo messiânico que se busca estabelecer;
a volta do personalismo tão retrógrado e que se julgava coisa do passado;
a intolerância à divergência;
a incitação à violência;
a tentativa maniqueísta de dividir o país entre pobres e ricos, jogar uns contra os outros gerando ódio na população;
o desejo explícito do extermínio das oposições;
a utilização da máquina estatal, inclusive informações confidenciais, para fins eleitorais e de perseguição política.
No plano internacional, as afinidades eletivas do atual presidente a governantes com clara vocação autoritária, tais como: Hugo Chávez, Evo Morales, Fidel Castro, Cristina Kirchner e Mahmoud Ahmadinejad.
Enfim, todo esse conjunto de ações apontam para o quê? Democracia? Não, apontam claramente para uma ditadura totalitária, com o perdão da redundância.
É assim que eu vejo a situação hoje em nosso país. Por isso eu digo: o que está em jogo é uma opção (ou não) pela manutenção da democracia e das liberdades a ela inerentes.