Por Gen Ex
Domingos Miguel Antonio Gazzineo - 30 Mar 2012 – Av Beira Mar em Fortaleza.
Cumprindo uma
tradição, estamos aqui reunidos para reverenciar a memória da insigne figura do
MARECHAL HUMBERTO DE ALENCAR CASTELO BRANCO e para evocar a data de 31 de março
de 1964, quando, atendendo aos anseios do povo brasileiro, demos um basta na
corja de comunistas que estava perto de se apoderar da nossa Pátria para aqui
instalar uma ditadura marxista-leninista, sob os auspícios e patrocínio de
países totalitários estrangeiros.
Se os
detentores do poder julgam inconveniente que, para essas homenagens, usemos as
instalações de nossos Quartéis onde mourejamos durante toda uma vida; se não
nos são franqueados locais sob administração oficial, realizaremos sempre, como
estamos fazendo hoje, nossos atos patrióticos em praça pública para que o povo
conheça a grandeza das nossas ideias como também a pequenez e a covardia dos
que nos querem calar.
Por mais que
nos proíbam, por mais que nos ameacem, por mais que desejem nos sufocar ou
punir, garroteando os nossos salários e os recursos devidos às Forças, não desistiremos
de cumprir o nosso dever de cultuar os nossos verdadeiros heróis e de evocar as
datas notáveis da nossa história. Isto é parte da nossa formação, da nossa
mística e dos nossos princípios, os quais mantemos com muito orgulho e
perseverança.
Somos Militares
da Reserva de todas as Forças e amigos civis de todos os ramos de atividades
que firmemente comungam conosco dos mesmos ideais. Não pregamos o desrespeito
às autoridades nem atuamos à margem da lei. Somos calejados por um passado de
trabalho honesto, sério, dedicado às nossas Instituições, o que nos credita o
direito de, dentro dos ditames das leis, expressarmos livremente as nossas
preocupações, as nossas críticas e os nossos legítimos anseios, doa a quem
doer.
Não incitamos
à indisciplina, não pregamos golpes, apenas nos defendemos face a tantos
ataques e impropérios, lançados muitas vezes sob as vistas condescendentes e
com o apoio de quem possui a obrigação legal de nos defender.
Preservamos e
apoiamos os companheiros da ativa, na certeza de que, mesmo mantendo um
doloroso silêncio, saberão honrar os valores e os princípios pétreos das nossas
Instituições, mantendo-se unidos e coesos prontos para que, como tem sido ao
longo de toda a nossa história, e como foi em 1935 e 1964, defendam a Pátria, até
com o sacrifício da própria vida, frente às investidas anunciadas e
previsíveis, e possam, no momento oportuno, mostrar que a "MÃO AMIGA"
também tem um "BRAÇO FORTE".
Esperamos
deles, principalmente dos que carregam em seus ombros a responsabilidade de
chefia, que, com o nosso irrestrito apoio e confiança, saibam manter, com
serenidade e energia, a postura altiva face ao desrespeito, ao achincalhe, à
falta de consideração e aos sórdidos ataques costumeiramente dirigidos às
nossas Instituições e aos seus integrantes, DE ONTEM E DE HOJE.
Cometem um
erro crasso aqueles que intentam estimular a cisão entre os militares de ontem
e de hoje, entre ativa e reserva ou entre comandados e comandantes. Esquecem
que somos um todo indivisível, amigos, irmãos na fé e reunidos pela força de um
mesmo ideal e de uma forte tradição. Nós os antecedemos, os formamos e lhes
transmitimos os valores que permanecem imutáveis, por isso merecem a nossa
confiança ilimitada. compreendemos o sofrimento dos companheiros da ativa que estão
sentindo na pele as injustiças, a ingratidão e as incompreensões, obrigados a
um mutismo imposto pela obediência aos textos legais.
Cabe pois a
nós da Reserva exercer o direito conferido pela legislação vigente, cumprindo a
obrigação e o sagrado dever de defendê-los por todos os meios, elevando a voz
para manter a integridade de nossas Instituições face aos evidentes e
indisfarçáveis ataques perpetrados, até com aplausos e o apoio daqueles, que
pelas funções que exercem, tem o dever legal de se submeter às leis e aos
acórdãos da Justiça e não tentar sobrepassá-las para dar vazão ao desejo
incontido de uma vingança sórdida.
Imaginamos a
dor de quem perdeu um ente querido naquela guerra suja, onde não demos o
primeiro tiro e onde aconteceram, de lado a lado, fatos e situações realmente
tristes e lamentáveis. Mas a revolta que sentem devia voltar-se contra aqueles
que irresponsavelmente os aliciaram com as suas falácias para as atividades
violentas, os submetendo a uma situação irregular onde fatalmente tinham que
ser combatido com vigor e com a mesma violência por eles usada. Não poderiam
ter a ilusão de que seriam recebidos com flores e mimos.
Também perdemos, com
imenso pesar, amigos e entes queridos que cumpriam os seus deveres de combater
os ataques terroristas, os assaltos a banco, os sequestros e os assassinatos.
Na realidade foi a ação enérgica e eficaz das forças legais que impediu a
implantação em nosso território de governos totalitários de esquerda e de ações
de guerrilhas em maior amplitude, como as FARC.
Estamos do
lado da lei e da ordem e exercitamos - temos certeza com o incentivo da
sociedade consciente - os nossos direitos. Difícil é entender quando alguém que
diz exercitar os princípios democráticos venha a se ofender e criar celeumas
inconsequentes face ao direito que tem qualquer cidadão de revoltar-se ao tomar
conhecimento dos assaltos aos cofres públicos, através dos
"mensalões", das "propinas" do rateio das funções e da
troca de favores.
Esse mesmo direito que tem as Igrejas e as mulheres
brasileiras, as mães de família honestas e trabalhadoras de se escandalizarem
ao encontrar pessoas influentes que pregam, utilizam, confessam e professam
abertamente a prática de crimes contra a vida previstos nas leis penais, (como
o aborto) e se ufanam de exercitar o sexo variado e promíscuo.
O mesmo direito,
ou até o dever, de pessoas, grupos ou instituições, como os Clubes Militares,
de examinar e comentar, sem a utilização de termos ofensivos, fatos
absolutamente verdadeiros e constrangedores.
Receberiamos
sem restrições a Comissão da Verdade se pudéssemos confiar que seria uma busca
honesta da VERDADE VERDADEIRA sem a utilização, desde já evidente, de sofismas
jurídicas para descumprir o espírito da legislação vigente em toda a sua clara
abrangência e se houvesse a intenção de, equilibradamente pesquisar e difundir
todos os ângulos da história.
Por tudo isto,
estamos aqui, de cabeça erguida, sem temor das intimidações e das ameaças de
punições indevidas e ilegais, para em alto e bom som exaltarmos os feitos da
Revolução Democrática de 31 de março e do nosso Insigne Chefe MARECHAL HUMBERTO
DE ALENCAR CASTELLO BRANCO.
Nascido em 20
de setembro de 1897, em Fortaleza, herdando a têmpera do nordestino, com raízes
na família ilustre de José de Alencar, iniciou a carreira das armas na Escola
Militar de Rio Pardo, Rio Grande do Sul, ingressando na Escola Militar de
Realengo de onde foi declarado Aspirante da Arma de Infantaria em 1921 e para
onde regressou como instrutor em 1927. Ainda Capitão realizou o curso da Escola
Superior de Guerra da França. Como Oficial Superior foi chefe da Seção de
Operações da Força Expedicionária Brasileira na Itália, planejando as operações
de guerra dos nossos pracinhas e publicou vários ensaios de assuntos
doutrinários. Como Oficial-General foi Diretor de Ensino da Escola de Comando e
Estado-Maior do Exército, comandou a 10ª, a 8ª Região Militar e o IV Exército,
onde se dedicou ao profundo conhecimento das realidades do semiárido e da
amazônia.
O tumultuado
ano de 1964 o encontrou como Chefe do Estado-Maior do Exército, de onde, face
aos desmandos, desordens e atos subversivos promovidos pelo próprio governo,
exercitou o controle e a orientação do conjunto de nossas tropas expedindo
sábias diretrizes que mantiveram a coesão de um tropa acossada pela sanha dos
marxistas, que já se julgavam detentores do poder. Um de seus mais eloquentes
princípios doutrinários, totalmente válido até o momento atual, é enfático:
"AS FORÇAS ARMADAS NÃO SERVEM AOS GOVERNOS, AS FORÇAS ARMDAS SERVEM AO ESTADO".
Como o líder
que despontava, foi o ícone e o amálgama que congregou as Forças Armadas para,
atendendo às exigência da sociedade, igreja, imprensa, classes produtoras,
intelectuais e de todo o povo, sem qualquer ato de violência, fazer debandar o
ilusório esquema que pervertia a vida nacional.
Como
consequência da sua inconteste liderança, das suas qualidades e do seu preparo,
foi eleito pelo Congresso Nacional o 26º Presidente do Brasil, cargo que
assumiu em 15 de abril de 1964.
Recebeu um
País destroçado, inflação beirando os cem por cento, sistema produtivo
emperrado pelas lutas de classes, funcionamento da administração entravada e
tantas outras mazelas.
Com um governo
montado em bases de competência e seriedade e sob a sua firme liderança foi
possível em pouco tempo mudar a face da Nação, debelando a inflação galopante,
implementando profundas reformas, regularizando o sistema econômico, o sistema
político, o sistema produtivo e o funcionamento das atividades administrativas,
medidas que serviram de bases para impulsionar o futuro de progresso que o
Brasil experimentou nos períodos seguintes.
Apenas como
exemplos da profícua atuação de seu governo, podemos citar, entre tantos outros
importantes feitos:
- a criação do
Banco Central do Brasil, do Banco Nacional da Habitação, da Polícia Federal, da
Casa da Moeda, da Zona Franca de Manaus. A modernização das bases legais,
instituindo o Código Tributário, o Código de Mineração, o Estatuto da Terra, o
Código Eleitoral a criação do bipartidarismo, a reforma das Forças Armadas etc.
Como justa
homenagem ao insígne Chefe vale ressaltar o seu caráter impoluto e toda uma
vida de correção dedicada ao serviço da Pátria e do Exército. Militar austero e
exigente mas profundamente humano. Graças à sua profunda convicção democrática
e à sua firme liderança a nossa Revolução não descambou para extremos atos de
violência como em outros países. A sua grande aspiração era, ao final de seu
governo, deixar um país totalmente regularizado em sua vida democrática.
Lamentavelmente
a sanha dos subversivos, iniciando os atos de terrorismo, impediu que isto
acontecesse, entretanto, entregou ao seu sucessor o Brasil com uma nova
Constituição, os Poderes Constituídos em pleno funcionamento e todos os Atos
Institucionais revogados.
Um triste
acidente o fez sucumbir sob os céus do seu Estado, onde seu corpo, junto à de
sua amada d. Argentina, permanece velado no monumento erguido em sua homenagem.
Rogamos ao Bom Deus, que nos privou muito cedo de sua ainda necessária atuação,
pelo menos a Benção para que o seu espírito possa influenciar os nossos
dirigentes, a fim de livrar-nos desse atoleiro moral e ético a que estamos
submetidos.