segunda-feira, 14 de maio de 2012

Lei do Silêncio

Romulo Bini Pereira (*)
 
Em 1979, após muitos debates em amplos segmentos de nossa sociedade, a Lei da Anistia foi aprovada e promulgada no País. Ela veio pôr um ponto final no ciclo de beligerância que se instalou na vida brasileira e criou um pacto de reciprocidade para a reconstrução democrática no Brasil.

Nestes anos de sua vigência, as Forças Armadas cumpriram um papel impecável. Voltaram-se para suas missões constitucionais, sem a mínima interferência no processo político que aqui se desenvolvia. Mantiveram-se em silêncio, acompanhando os fatos políticos, alguns bastante perturbadores, sem nenhuma atitude que pudesse ser analisada como intervenção no processo democrático.

Adotaram uma verdadeira lei do silêncio. Um ajuste entre seus chefes, em busca da concórdia e do entendimento.

No corrente ano, entretanto, dois fatos vieram de encontro à atitude das Forças Armadas. O primeiro foi a criação da Comissão da Verdade. De modo unânime, militares da ativa e da reserva consideraram tal comissão um passo efetivo para atos de revanchismo. Os seus defensores - alguns deles membros da alta esfera governamental e do Poder Judiciário - já falam em rever a Lei da Anistia, mesmo após o Supremo Tribunal Federal ter confirmado a sua validade.

No escopo de se obter a verdade, essa comissão, para ser imparcial, deveria estudar e analisar não só o ideário político-ideológico, mas também os métodos de atuação de quem optou pela luta armada em todo o mundo. Que pesquise os manuais das organizações internacionais para constatar a semelhança dos objetivos e métodos das inúmeras e variadas organizações nacionais, inclusive o Manual do Guerrilheiro Urbano, de Carlos Marighella, a cartilha do terrorismo brasileiro. Os diversos delitos cometidos - assassinatos, atentados, roubos e sequestros - também tiveram, tal como as citadas internacionais, um objetivo único, ou seja, a "derrubada do governo central e a instauração de uma ditadura do proletariado", e não uma democracia, como apregoam seus defensores. Com tal comissão só existirá uma verdade unilateral.

O segundo fato se refere aos incidentes ocorridos na sede do Clube Militar, no Rio de Janeiro, tão chocantes e tão esclarecedores para todos os militares. Chocantes porque velhos soldados, ilustres chefes, instrutores, professores e outros de carreira e vida exemplares foram insultados e agredidos por uma turba de radicais com atitudes e impropérios usados pelos grupos extremistas das décadas de 60 e 70. E esclarecedores porquanto demonstraram que o ódio ideológico e o fanatismo estão novamente presentes em nosso país. Tanto que disse um dos seus líderes: "Somos marxistas radicais". Seu ideário, seus métodos de atuação e seus ídolos são os mesmos das organizações extremistas do passado. Fazem uso até mesmo de ações de intimidação radicais, como o "escracho", de modo idêntico aos trotskistas e aos nazistas nas décadas de 20 e 30. Segundo seus integrantes, suas ações visam a defender a "honra" do nosso país perante a comunidade internacional. Definitivamente, não são aptos para tal defesa. A continuar dessa forma, a citada turba poderá vir a ser um celeiro para novos Araguaias.

Esses dois fatos atingiram frontalmente os objetivos da Lei da Anistia. A concórdia e o entendimento foram atitudes adotadas somente pelas Forças Armadas. Em oposição, um segmento sectário e minoritário demonstrou intransigência e intolerância totalitária para com os militares.

Eles não assumiram seus atos e erros. Talvez para criar uma nova História, na qual seus integrantes sejam os grandes heróis. Talvez para justificar as ações de seus líderes no emprego de jovens em aventuras quixotescas de tomada do poder pela via armada, ou, então, a legitimação das 20 mil indenizações pagas por seus ideais revolucionários.

Não será possível mais aceitar que os "anos de chumbo", expressão de origem italiana tão decantada por esses segmentos minoritários, sejam debitados somente aos atos das nossas Forças Armadas. Na Itália não houve anistia e terroristas estiveram presos por muitos anos. O caso Cesare Battisti, de rumorosa repercussão mundial, exemplifica o desiderato do governo italiano em punir os que optaram pela luta armada. As organizações extremistas brasileiras estavam sossegadas na selva do Araguaia ou nos aparelhos urbanos, algumas nos conventos dominicanos. E assistiram a tudo pacificamente, com uma única exceção: as vítimas de sua autoria, algumas assassinadas barbaramente e outras justiçadas covardemente. Que regime teria sido imposto ao nosso país caso vingasse o ideário radical dessa minoria?

Neste contexto, a palavra dos chefes militares está se fazendo necessária e será um contraponto a possíveis atitudes e ações deletérias, como as agressões no Clube Militar. O que nós, militares, defendemos não é indisciplina ou qualquer conluio, nem quebra dos princípios democráticos. Uma palavra que não signifique um "mea culpa" ou um pedido de perdão. Estivemos, no período da guerra fria, em combate bipolarizado, no qual os extremistas foram banidos em todo o mundo em razão de seu objetivo totalitário e único: a ditadura do proletariado. Correremos riscos, mas eles são inerentes ao processo democrático e à nossa profissão.

Não se admite mais este silêncio reinante. Nas redes virtuais, pela simples leitura de manifestos e artigos oriundos da reserva de nossas Forças Singulares se percebe que estamos num ponto crítico. A nossa autoestima está em visível declínio, agravada por outros fatores, entre eles os baixos salários de nossos subordinados. Dissensões poderão surgir, pois a reserva expressa em muito o pensamento dos soldados da ativa. Possíveis perturbações ou rupturas em nossas Forças trarão repercussões indesejáveis para o nosso país. Não é possível mais calar. A lei do silêncio deve ser quebrada!  

(*) GENERAL DE EXÉRCITO, FOI CHEFE DO ESTADO-MAIOR DA DEFESA

O imoral empalamento dos desafortunados


A Comissão da Verdade está prestes a iniciar os seus trabalhos.
 
Será o julgamento dos ausentes, a condenação dos infamados, ou melhor, o seu imoral empalamento publico.
 
Um mau-cheiro exala no ar. 
 
A Comissão se compromete a arrolar os crimes dos Governos Militares e de seus Agentes. E, acreditem: levantará, acusará, e vilipendiará a todos, sem exceção e, por torpe cumplicidade, ao Exército Brasileiro e às demais Forças Singulares. 
 
Não precisava, pois os erros dos governos militares são do domínio publico.
 
O principal foi empenhar-se na luta para evitar que a subversão tomasse pelas armas o poder, pois os heróicos terroristas agitaram, roubaram, seqüestraram, assassinaram, mentiram e cooptaram jovens inocentes (como fizeram na “Guerrilha do Araguaia”), iludindo - os com a lenda dourada do comunismo.
 
Utilizando a mesma arma, a Propaganda, conseguiram atribuir a si mesmos, o retorno do País ao pluralismo político, e se autoproclamar angelicais defensores da democracia.
 
O outro monumental equivoco foi a postura imobilista em relação ao solerte inimigo.
 
E a luta foi dureza, pois o inimigo não tinha rosto, não usava uniforme, e os governos militares, sem experiência naquele tipo de luta, penaram para estabelecer mecanismos mínimos de eficiência para resistir aos ataques frenéticos de terroristas, muitos adestrados no exterior em atos e ações das mais desumanas.
 
O erro dos agentes que os combateram... foi combatê-los.
 
Mas isto não vem ao caso.
 
Interessa que as Forças Armadas combateram e venceram o comunismo em todas as ocasiões em que, de diferentes maneiras, seus adeptos tentaram tomar o poder. Neste caso, lamentavelmente, a História vem sendo contada de forma unilateral pelos derrotados, com suas versões distorcidas dos fatos.
 
 Alguém já disse que uma derrota é a maior das frustrações. Eles sofreram três, todas capitaneadas pelas Forças Armadas. E, por isso, não perdoam as nossas Forças Armadas.
 
É típico do governo tirânico que se adonou do País tripudiar sobre o único instrumento democrático que pode fazer lhe frente.
 
Aqui, os terroristas são homenageados com nomes de ruas e de praças, e os verdadeiros traidores da democracia são indenizados pelo Estado.
 
Alguns, mesmo os mais ingênuos, não podem fechar os olhos diante da constatação de que vivemos sob um regime “cripto-comunista”, grosseiramente disfarçado, e que a Comissão da Verdade é um instrumento para desmoralizar e anular os Agentes da Repressão e, por vias diretas, os Governos, aos quais eles serviram.
 
Ao se proporem em desmoralizar os Governos Militares, íntegros e capitaneados por homens de conduta ilibada, sem ambições políticas, e que traziam o desejo de governar com dedicação a sua Pátria, os antigos terroristas e subversivos, atacam, ostensivamente, as Forças Armadas, de acordo com eles, a base de onde saíram os seus algozes e ferramentas utilizadas pelos Presidentes Militares, para promover atrocidades.
 
Sim, comprovamos que as Forças Armadas construíram uma identidade, e para o Exército Brasileiro, desde a Batalha dos Guararapes formaria uma identidade, uma personalidade, fruto de centenas de atos e de atitudes que construíram um monumento de integridade.
 
Tememos o que sobrará de dignidade, após o tremendo massacre que assistiremos na tragicomédia, após vigência da Comissão, que terá dois anos para esmagar, não apenas os dedicados Agentes da Repressão, mas os seus Governantes, e por vias diretas, ao Exército Brasileiro, berço e formador daqueles lídimos Presidentes. 
 
É com pesar que presenciamos ao terrível revanchismo, e mais compungidos por testemunharmos o vergonhoso silêncio dos cidadãos probos, que por omissão tornaram-se cúmplices dessa inconcebível pantomima.
 
O que poderá esperar no futuro uma Nação, cujos militares, passivamente, observam a farsa que se aproxima? 
Sim, não sabemos o que restará, nem a coragem, nem a determinação, e será difícil manter alto o brado de “BRASIL ACIMA DE TUDO”, diante desta ultrajante vilania.
 
Brasília, DF, 17 de maio de 2012
 
Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira