Texto de Percival Puggina*
O ideal totalitário que ainda hoje assombra a América é o
comunista. Ele está ativo e exerce poder pelo voto em mais de uma dezena de
países que, aos poucos, são afastados da democracia e seus valores. No poder ou
fora dele, os principais adversários que essa esquerda desvairada pretende
eliminar são sempre os mesmos: a instituição familiar conforme a ordem natural,
as Igrejas cristãs tradicionais e a católica em particular, e as Forças
Armadas. O caso do Brasil, exemplo diretamente sob nossos olhos, é clara
evidência do que afirmo.
São antagonismos facilmente explicáveis. Quem pretenda
subverter determinada ordem para impor outra (como exige o ideal totalitário)
precisa, essencialmente, destruir as estruturas através das quais se
reproduzem, nos indivíduos, os valores que lhe deem consistência. As três
estruturas mencionadas acima - Família, Igreja e Forças Armadas - são como
pilares, vigas e lajes de uma sociedade. Daí a persistência dos ataques que
lhes são dirigidos. O ideal totalitário investe contra a instituição familiar
por dois flancos. Num deles, tenta fazer da família uma coisa qualquer. No
outro, busca transformar uma coisa qualquer em família. Os inimigos da Igreja
não querem apenas eliminar qualquer expressão externa de sua existência.
Querem, principalmente, como se a ordem jus-política prescindisse de um
fundamento moral, eliminar a influência dos valores cristãos na moral social e,
por via de consequência, no ordenamento jurídico dos povos. A nova ordem que os
fascina precisa de uma moral sem fundamentos.
As Forças Armadas, armadas e fortes, por vocação e formação
de seus quadros, são exemplo sociais de ordem e disciplina a serviço da
segurança e da paz. É visível o empenho do governo e seu partido em
vilipendiá-las, em lhes suprimir recursos humanos, financeiros e materiais.
Trata-se de conduta não oficial, mas efetiva, dos que desfilam sua bazófia e
arrogância pelo país, como se proprietários dele fossem todos os seus
ocasionais dirigentes e militantes. O grupo hoje instalado no poder, que perdeu
o confronto com as Forças Armadas nos anos 60 e 70, vai à forra usando o
aparelho do Estado. No entanto, em que pese todo o mal que lhes podem fazer e
fazem, todas as mentiras que a respeito delas podem repetir e repetem, o povo
brasileiro preserva as Forças Armadas como a segunda entre as 18 instituições
mais confiáveis do país (a primeira, por motivos óbvios, é o Corpo de
Bombeiros). As FFAA contam com a confiança de 66% da sociedade segundo o Índice
de Confiança Social medido em 2013 pelo Ibope. Imagino o quanto deve ser difícil
para quem há mais de meio século vem tentando desmoralizar as Forças Armadas,
ver seus próprios líderes sendo presos e a sociedade dedicando aos silenciosos
militares brasileiros o merecido respeito e confiança.
Retorno ao ponto inicial. Vociferam incessantemente contra
as convicções cristãs. Contra elas põem nas ruas as trupes de pelados, as
vadias que se requebram com símbolos sacros, seus projetos de aborto, suas
cartilhas e paradas gays, e outras tantas frentes de combate. Embora façam tudo
isso e muito mais, as Igrejas persistem em terceiro lugar entre as instituições
mais confiáveis segundo o sentimento nacional.
"E quanto à instituição familiar, o terceiro alvo
preferencial do ideal totalitário?", indagará o leitor. Pois é. No
universo da pesquisa (que também envolve as relações individuais/sociais dos
entrevistados), a boa e velha família dispara em primeiríssimo plano, contando
com a confiança de 90% das pessoas.
Alegrou-me conhecer esses dados. Eles me permitiram
confrontar o empenho dos adeptos do ideal totalitário com os resultados até
agora colhidos na sua tarefa de demolição. Mesmo sem revides, mesmo contando
com a indiferença de tantos, mesmo que "... os filhos das trevas sejam
mais astutos que os filhos da luz" (Lc 16,8), ainda há muito espaço para
resistência.
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* Percival Puggina (69) é arquiteto, empresário, escritor,
titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais
e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da
utopia e Pombas e Gaviões, membro do grupo Pensar+.