E se Roberto
Jefferson não tivesse denunciado o mensalão, como estaria o Brasil hoje?
Pelo que o
julgamento do Supremo Tribunal Federal está provando, o PT teria a maior e mais
fiel base de apoio do Ocidente, maior até do que a velha Arena da ditadura,
presidida por Sarney.
Além dos cargos e boquinhas de sempre, os
partidos aliados teriam suas despesas de campanha bancadas pelo PT. Assim,
tanto nas votações no Congresso como nas eleições, não seria uma coalizão mas
um rolo compressor. A democracia
perfeita de Lula e Dirceu.
Seria
preciso apenas encontrar novas fontes de financiamento da operação, além dos
empréstimos de araque de Marcos Valério no Banco Rural e no BMG e do desvio de
dinheiro do Visanet, que não seriam suficientes para pagar as dividas e as
campanhas do PT, e as despesas crescentes com a voracidade da base aliada, que
quanto mais come mais fome tem.
De onde
sairia o dinheiro? Militantes do partido em postos chave na administração
pública facilitariam concorrências e superfaturariam campanhas publicitárias e
eventos produzidos pelas agências de Marcos
Valério, que ficaria com uma parte do butim.
Depois era só lavar o dinheiro na
Bônus Banval e distribuí-lo aos aliados para garantir a governabilidade sem
fazer concessões politicas e a aprovação de seus projetos que — eles tinham
certeza — eram os melhores para o povo brasileiro.
Como Lula e
Dirceu sabiam melhor que ninguém, pelo menos 300 picaretas estavam à venda
no Congresso.
Então, por que não comprá-los para servir ao
governo do primeiro operário a chegar à Presidência, para atualizar e fazer as
“reformas de base” que derrubaram Jango e Brizola em 64? Era uma causa nobre,
um velho sonho, um plano perfeito. Ou quase.
Mais do que
um inútil exercício de retrofuturologia, imaginar as consequências funestas da continuidade do mensalão —
que não ia parar ali, cresceria e envenenaria o Congresso, as campanhas
eleitorais, a democracia e o Estado — serve para dar um suspiro de alívio e
agradecer ao procurador-geral e aos ministros
do Supremo Tribunal Federal. E ao gesto tresloucado de Roberto Jefferson.
Nelson Motta é jornalista